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domingo, 6 de maio de 2012

Podem me prender, podem me bater




Ter opinião não é nada fácil. E nos Anos de Chumbo era muito difícil ter e manter opinião, quando essa fosse contra a maré reinante. Se corria até risco de morte. A história não me deixa negar.

E quantos de nós, se obriga a mentir ou a omitir sobre o que pensa, porque revelar a própria opinião, no mínimo, só trás inimigos, quando não dá em guerra.

Mas, que tipo de vida é essa de não poder mostrar o seu pensar e só falar futilidades ou o 'politicamente correto'? É como passar pela vida e não viver.

São poucos, muito poucos, que têm a coragem de expressar de peito erguido o seu pensar. Dessa coragem sempre me lembra esta linda canção:

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Político com decência: espécie em extinção?



Está mais do que claro, que brasileiro nenhum ainda acredita que exista político com decência e honestidade no nosso mundo tupiniquim. Então li, recentemente no blog de um dileto amigo, o testemunho que segue:
CABRA MACHO1
OPOVO – Opinião – 18/02/2012

Essa semana, eu me lembrei insistentemente da frase de Rui Barbosa: “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.

Prof. Mourão Cavalcante
Pois bem, aqui no Ceará, nós podemos nos orgulhar do inverso. Alguém que teve a coragem de situar-se no contra-fluxo da maioria, guiado por sua consciência. A figura responsável por essa atitude foi o deputado Heitor Férrer (PDT). Essa história precisa ser conhecida, divulgada e aplaudida de pé.

O nobre deputado foi procurado, em sua residência, por uma comissão de parlamentares – todos profundamente identificados com o Governo estadual – convidando-o para assumir uma vaga de conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios. Para muitos um sonho/presente vitalício.

Heitor Férrer simplesmente recusou. Disse que, apesar de honrado com a deferência, não podia aceitar a indicação. Preferia continuar seu mandato legislativo e seguir coerente com sua trajetória de parlamentar da oposição. Não se sentia bem em trair a confiança de seus seguidores.

Tribunal de Contas do Ceará
Se a proposta teve um gosto de indecência, ela encontrou no “baixinho” uma resposta ímpar de coragem, honradez e ética. Não se vergou aos cantos de sereia, por mais que fossem encantadores. Sim conterrâneos, ainda temos homens dignos em nossa terra. Pessoas que não cedem às seduções do poder. Que preferem manter a coerência em suas condutas pessoais. Não que seja indigno pertencer ao tribunal, mas a forma cavilosa como se insinuou, essa mereceu – de quem tem caráter – a resposta exata: não quero!

Heitor Férrer pode até ser criticado pelos oportunistas de plantão. Perdeu a chance de um cargo vitalício. Mas hoje ele poderá olhar a face de seus filhos e dos seus correligionários de peito aberto e fronte erguida. Não precisará se esconder em artimanhas verbais e discursos demagógicos. Na hora de ter mostrado caráter, ele mostrou. Parabéns, cabra macho das Lavras…

Antonio Mourão Cavalcante – Médico, antropólogo e professor universitário

É quase para não acreditar, que o Brasil ainda tem solução e que a espécie de político com decência e com honestidade ainda não foi exterminada pelo fisiologismo e pela corrupção. Ainda, temos em quem votar. Por isso, estou retransmitindo na íntegra esse importante depoimento do insigne Prof.Dr.Dr. Antônio Mourão Cavalcante, da Universidade Federal do Ceará.

Se, você e, tão pouco, eu podemos premiar essas pessoas raríssimas com um 'Nobel da Decência', pelo menos, precisamos divulgar o nome dessas admiráveis pessoas à exaustão, na esperança que decência e retidão, no Brasil, façam escola.

Heitor Férrer2

Esse grande cearense de Lavras da Mangabeira, médico de profissão, entrou na política em 1987, eleito para vereador de Fortaleza, onde permaneceu por 3 mandatos consecutivos. Atualmente, está como deputado estadual na Assembleia Legislativa do Ceará, reeleito para o terceiro mandato com 52.700 votos.

A Assembleia Legislativa do Ceará tem 46 deputados, divididos naturalmente em blocos de 'situação' e de 'oposição'. Mas, por motivos 'regionais', a 'oposição' teima em não assumir a sua função constitucional.

Deputado Heitor Férrer

Agora pasme, o Dep. Heitor Férrer, pertence ao bloco de 'sustentação' do Governo local, mas é o único deputado a fazer oposição no Ceará. E o faz com tamanha competência e brilhantismo, dentro dos melhores princípios ético, que enche de orgulho os seus eleitores. Insistentemente, está requerendo explicações, informações e, até CPIs para esclarecer fundadas suspeitas de corrupção, de abuso de poder, de desvio de finalidade, etc. Mas, a maioria absoluta (situação + 'oposição') está sempre vigilante para 'arquivar' os pleitos do Deputado Heitor Férrer.

Em sua trajetória política sempre ganhou os seus votos estritamente como resultado de sua atuação parlamentar, ou seja, seus eleitores têm consciência do porquê e de em quem votam.

Decência e Honestidade ainda existem neste País. Assim, espero que você ajude o Brasil e divulgue excessivamente esse fato. Talvez até, essa atitude trace uma nova trajetória na política nacional.

Acelino Pontes
1http://blog.opovo.com.br/blogdomourao/cabra-macho/
2http://www.heitorferrer.com.br/

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Aula de Economia


De autor desconhecido recebi o seguinte texto:
Veja só que matemática interessante:
Numa cidade, os habitantes, endividados, estão vivendo às custas de crédito.
Por sorte chega um gringo e entra no único hotel.
O gringo saca uma nota de R$ 100,00, põe no balcão e pede para ver um quarto.
Enquanto o gringo vê o quarto, o gerente do hotel sai correndo com a nota de R$ 100,00 e vai até o açougue pagar suas dívidas com o açougueiro.
O açougueiro, pega a nota e vai até um criador de suínos a quem deve e paga tudo.
O criador, por sua vez, pega também a nota e corre ao veterinário para liquidar sua dívida.
O veterinário, com a nota de R$ 100,00 em mãos, vai até à zona pagar o que devia a uma prostituta (em tempos de crise essa classe também trabalha a crédito).
A prostituta sai com o dinheiro em direção ao hotel, lugar onde levava seus clientes; e como ultimamente não havia pago pelas acomodações, paga a conta de R$ 100,00.
Nesse momento, o gringo chega novamente ao balcão, pede sua nota de R$ 100,00 de volta, agradece e diz não ser o que esperava e sai do hotel e da cidade.
Ninguém ganhou um vintém, porém agora todos saldaram suas dívidas e começam a ver o futuro com confiança!

Moral da história: Quando o dinheiro circula, não há crise !!!
Essa lição de economia é muito interessante e nos mostra com clareza o que acontece. Não dá para não entender. Mas, na prática, vez dá certo, vez não dá certo. Vamos ver um exemplo em que deu certo.

Bolsa Família

Para muitos o bolsa família é um 'dar dinheiro para vagabundo'. Naturalmente, essa é sempre a visão da oposição, embora a ideia tenha nascido no Governo do PSDB e ampliada no Governo do PT.

E o que é na realidade?

Um país moderno, obrigatoriamente, terá que apresentar a menor diferença possível de renda entre os mais pobre e os mais ricos ou classificar, com grande poder aquisitivo, grandiosa parte de sua população na chamada 'classe média' . O Brasil não preenche nenhuma dessas alternativas.

O povo brasileiro ganha/fatura anualmente um volume de R$ 3,675 trilhões. Se tivéssemos igualdade total de renda, cada brasileiro receberia mensalmente R$ 1.536,49 como salário. Mas, isso não acontece, pois o brasileiro, segundo sua classe social (A-E) recebe mensalmente o que segue:


Só que, 50% dos brasileiros são da Classe C, porquanto recebem entre R$ 726,26 e 2.012,67. E outra grande parte (mais de 25%) recebe menos de um salário mínimo, enquanto que uma pequeníssima parte (1%) recebe uma fortuna por mês: de acima de 9 mil reais até 'o céu é o limite'. Tem um sem número de brasileiros, que ganham dezenas de milhões de reais por mes.

Por isso, o Bolsa Família, como programa de redução das desigualdades sociais e da pobreza, tenta reduzir a enorme desigualdade de renda presente no Brasil, atendendo aos mais pobres - cifrados em mais de 13 milhões de famílias - com ajuda mensal variando entre R$ 32 a R$ 306. Isso, já foi suficiente para elevar a renda familiar da Classe E para valores próximos ao Salário Mínimo.

E o que tem a ver com a história acima?

Ora, isso é 'um negócio da China'. Veja este exemplo: Se um pobre/miserável recebe R$ 100 de Bolsa Família, já dá para pagar a bodega ou a conta de luz ou comprar roupa. E, se são 13 milhões de famílias, então o poder de compra dessas pessoas seria de quase 1,3 bilhão de reais todos os meses, que seriam investidos em mercadorias e serviços, produzindo mais renda, mais empregos e, também, mais impostos.

Como a carga tributária no Brasil está a mais de 30%, isso significa que o Governo 'ganharia', no nosso exemplo, mensalmente bem mais que 390 milhões de reais diretamente só com o Bolsa Família. Bem, mas esses são os ganhos diretos, se contarmos os ganhos indiretos, teremos cifras de 2 a 10 vezes superior a esses valores.

E como funciona isso?

O dono da bodega, em vender mais, vai precisar de um ajudante e, principalmente, de comprar mais mercadorias junto ao distribuidor, bem como utilizar-se de mais serviços (como telefone, água, luz, transporte, plano de saúde, etc.). Com isso há mais empregos, mais compras, maior taxa de prestação de serviços e mais impostos. O distribuidor, por sua vez, vai também empregar mais pessoas e comprar mais mercadorias dos fornecedores/indústria e utilizar-se de mais serviços. Da mesma forma vão se comportar os fornecedores e as indústrias.

Esse círculo é como uma bola de neve. No fim, todos ganham e crescem. O pobre recebe o dinheiro e faz compras provendo a circulação desse na economia do país, que retorna em dobro para o Governo em forma de impostos. Mas, não digam isso aos opositores do Bolsa Família, pois é bem possível quem mudem de opinião.

Acelino Pontes

domingo, 6 de março de 2011

Ganhei Coragem

Rubem Alves, colunista da Folha de S. Paulo

"Mesmo o mais corajoso entre nós só raramente
tem coragem para aquilo que ele realmente conhece", observou Nietzsche.
É o meu caso.
Muitos pensamentos meus, eu guardei em segredo.
Por medo.
Alberto Camus, leitor de Nietzsche, acrescentou um detalhe
acerca da hora em que a coragem chega:
"Só tardiamente ganhamos a coragem de assumir aquilo que sabemos".
Tardiamente.
Na velhice.
Como estou velho, ganhei coragem.

Vou dizer aquilo sobre o que me calei:
"O povo unido jamais será vencido", é disso que eu tenho medo.

Em tempos passados, invocava-se o nome de Deus
como fundamento da ordem política.
Mas Deus foi exilado e o "povo" tomou o seu lugar:

a democracia é o governo do povo.
Não sei se foi bom negócio;
o fato é que a vontade do povo, além de não ser confiável,
é de uma imensa mediocridade.
Basta ver os programas de TV que o povo prefere.

A Teologia da Libertação sacralizou o povo
como instrumento de libertação histórica.
Nada mais distante dos textos bíblicos.
Na Bíblia, o povo e Deus andam sempre em direções opostas.
Bastou que Moisés, líder, se distraísse na montanha
para que o povo, na planície,
se entregasse à adoração de um bezerro de ouro.
Voltando das alturas, Moisés ficou tão furioso
que quebrou as tábuas com os Dez Mandamentos.

E a história do profeta Oséias, homem apaixonado!
Seu coração se derretia ao contemplar o rosto da mulher que amava!
Mas ela tinha outras idéias.
Amava a prostituição.
Pulava de amante e amante enquanto o amor de Oséias
pulava de perdão a perdão.
Até que ela o abandonou.
Passado muito tempo, Oséias perambulava solitário
pelo mercado de escravos.
E o que foi que viu?
Viu a sua amada sendo vendida como escrava.
Oséias não teve dúvidas.
Comprou-a e disse:
"Agora você será minha para sempre.".
Pois o profeta transformou a sua desdita amorosa
numa parábola do amor de Deus.

Deus era o amante apaixonado.
O povo era a prostituta.
Ele amava a prostituta, mas sabia que ela não era confiável.
O povo preferia os falsos profetas aos verdadeiros,
porque os falsos profetas lhe contavam mentiras.
As mentiras são doces;
a verdade é amarga.

Os políticos romanos sabiam que o povo se enrola
com pão e circo.
No tempo dos romanos, o circo eram os cristãos
sendo devorados pelos leões.
E como o povo gostava de ver o sangue e ouvir os gritos!
As coisas mudaram.
Os cristãos, de comida para os leões,
se transformaram em donos do circo.

O circo cristão era diferente:
judeus, bruxas e hereges sendo queimados em praças públicas.
As praças ficavam apinhadas com o povo em festa,
se alegrando com o cheiro de churrasco e os gritos.
Reinhold Niebuhr, teólogo moral protestante, no seu livro
"O Homem Moral e a Sociedade Imoral"
observa que os indivíduos, isolados, têm consciência.
São seres morais.
Sentem-se "responsáveis" por aquilo que fazem.
Mas quando passam a pertencer a um grupo,
a razão é silenciada pelas emoções coletivas.

Indivíduos que, isoladamente,
são incapazes de fazer mal a uma borboleta,
se incorporados a um grupo tornam-se capazes
dos atos mais cruéis.
Participam de linchamentos,
são capazes de pôr fogo num índio adormecido
e de jogar uma bomba no meio da torcida do time rival.
Indivíduos são seres morais.
Mas o povo não é moral.
O povo é uma prostituta que se vende a preço baixo.

Seria maravilhoso se o povo agisse de forma racional,
segundo a verdade e segundo os interesses da coletividade.
É sobre esse pressuposto que se constrói a democracia.

Mas uma das características do povo
é a facilidade com que ele é enganado.
O povo é movido pelo poder das imagens
e não pelo poder da razão.
Quem decide as eleições e a democracia são os produtores de imagens.
Os votos, nas eleições, dizem quem é o artista
que produz as imagens mais sedutoras.
O povo não pensa.
Somente os indivíduos pensam.
Mas o povo detesta os indivíduos que se recusam
a ser assimilados à coletividade.
Uma coisa é a massa de manobra sobre a qual os espertos trabalham.

Nem Freud, nem Nietzsche e nem Jesus Cristo confiavam no povo.
Jesus foi crucificado pelo voto popular, que elegeu Barrabás.
Durante a revolução cultural, na China de Mao-Tse-Tung,
o povo queimava violinos em nome da verdade proletária.
Não sei que outras coisas o povo é capaz de queimar.

O nazismo era um movimento popular.
O povo alemão amava o Führer.

O povo, unido, jamais será vencido!

Tenho vários gostos que não são populares.
Alguns já me acusaram de gostos aristocráticos.
Mas, que posso fazer?
Gosto de Bach, de Brahms, de Fernando Pessoa, de Nietzsche,
de Saramago, de silêncio;
não gosto de churrasco, não gosto de rock,
não gosto de música sertaneja,
não gosto de futebol.
Tenho medo de que, num eventual triunfo do gosto do povo,
eu venha a ser obrigado a queimar os meus gostos
e a engolir sapos e a brincar de "boca-de-forno",
à semelhança do que aconteceu na China.

De vez em quando, raramente, o povo fica bonito.
Mas, para que esse acontecimento raro aconteça,
é preciso que um poeta entoe uma canção e o povo escute:
"Caminhando e cantando e seguindo a canção.",
Isso é tarefa para os artistas e educadores.
O povo que amo não é uma realidade, é uma esperança.
Rubem Alves

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