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domingo, 6 de maio de 2012

Podem me prender, podem me bater




Ter opinião não é nada fácil. E nos Anos de Chumbo era muito difícil ter e manter opinião, quando essa fosse contra a maré reinante. Se corria até risco de morte. A história não me deixa negar.

E quantos de nós, se obriga a mentir ou a omitir sobre o que pensa, porque revelar a própria opinião, no mínimo, só trás inimigos, quando não dá em guerra.

Mas, que tipo de vida é essa de não poder mostrar o seu pensar e só falar futilidades ou o 'politicamente correto'? É como passar pela vida e não viver.

São poucos, muito poucos, que têm a coragem de expressar de peito erguido o seu pensar. Dessa coragem sempre me lembra esta linda canção:

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Estava de bobeira




Pois, é. Estou tranquilo numa esquina qualquer, com um amigo. Só leveza e bom humor. Feliz. Simplesmente, feliz da vida. E com uma felicidade para ninguém por defeito. Tinha acabado de realizar o meu sonho: comprei aquela moto de que tanto sonhava. Linda de morrer e a hilaridade transbordava por todos os poros da minha pele. Não tinha coragem nem de a tocar - para não correr o risco de arranhar a pura lindeza e fascínio da minha moto - quanto mais de dar uma voltinha com ela. Estava só curtindo. Não parava de captar e de mostrar todos os seus detalhes e requintes ao amigo, que, a esta altura do campeonato, já deveria estar morrendo de inveja. Tudo isso era curtição pura e o júbilo me levava a todos os céus imagináveis e também até aos inimagináveis.

E de repente acontece isso:


O que é isso? Alguém pode me explicar?
Mas, espera aí. Deixa eu me acalmar e por os pensamentos em ordem. Pelo meu senso de direito e de justiça, quem é dono da rua, das vias públicas é o pedestre. E eu sou pedestre. Sou eu quem autorizo aos motoristas e condutores de carros e de outros veículos a transitarem nas ruas e vias públicas, desde que me respeitem e garantam a minha integridade física e psíquica. Para isso, elegi deputados e governos, que produziram um código de trânsito para regular esse meu direito irrenunciável.
E o que acontece? Os carros e veículos pintam e bordam nas ruas e eu fico de bobeira? São poderosas armas para matar e não respeitam ninguém.
Não, isso não pode ficar assim!
Mas, infelizmente essa é a nossa realidade. Anualmente, no Brasil, mais de 35 mil pessoas morrem em acidentes de trânsito. Isso, sem falar nos R$ 153 milhões unicamente para custear tratamento hospitalares dos acidentados no tráfego brasileiro. Uma média de R$ 390 por minuto.

E ainda tem mais: o índice de pedestres mortos representa 43,4% do total de vítimas de acidentes de trânsito. E é porque, pela lei, eu, pedestre, sou o dono da rua. Imagine só se eu não fosse.
Durma com um barulho desse!

Acelino Pontes


domingo, 25 de setembro de 2011

Direito de Viver


No Brasil de hoje é bom para viver. O país está progredindo no setor socioeconômico e o futuro parece-nos maravilhoso. Teremos muita diversão ainda com a Copa 2014, as Olimpíadas, o Brasil na mídia internacional e muitas outras coisas boas rolando na vida e na história do brasileiro. E a natureza e seu povo são maravilha pura. Tudo na medida certa.

Mas, parece-me que não temos mais assegurado o direito de viver, como dita a Constituição Federal. E é o próprio Governo (através de Relatório do Ministério da Justiça), quem nos traz essa constatação. Veja o vídeo abaixo e tire suas conclusões:


Que coisa, hem? Será que não temos direito à vida? O que está acontecendo? Enquanto isso, os políticos e o judiciário só se preocupam em aumentar os seus respectivos salários. Já estão até matando juiz e ninguém dá a minima.

Alguém pode me dizer o que devemos fazer para parar com essa insanidade de homicídios a torto e a direito?

Alguns vão dizer: mas, a maioria é bandido ou viciado, que encontrou o merecido. Primeiro, ninguém pode pensar assim, pois qualquer resíduo de ética que ainda perdure em nossa alma, não nos permite assim pensar. Segundo, porque essa evolução é uma epidemia e um dia encontrará você ou a mim. Só quem sente a dor da perda de um ente querido poderá avaliar essa questão com larga propriedade.

Por outro lado, não podemos continuar aceitando essa situação, pois certamente findaremos por comprometer todo o nosso futuro. Aqui, vale lembrar o magnânimo ensinamento do filósofo francês Sartre:
 
O importante não é o que fizeram de nós, mas o que nós mesmos fazemos daquilo que fizeram de nós1.

Se deseja ler o Relatório do Ministério da Justiça em sua totalidade basta clicar em:


Acelino Pontes

1 Sartre, Jean-Paul: Saint Genet - Ator e Martir. Título original: Saint Genet, comédien et martyr (1952). Editora Vozes, 2002. 584 p.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Lar Doce Lar



Casar constituir família e eu onde fico nisso tudo? Por que devo me casar? E as perguntas não ficam por aí, mas as respostas são parcas e não convencem. Está certo, que o amor aos e dos filhos é importante, mas não é tudo na vida, em especial, quando circunstâncias outras me 'empurraram' para o casamento.

Uns se casam por se dizerem apaixonados. Mas, o que é estar apaixonado? Já se diz até que se apaixonar é doença, e grave; pelo menos, já há filme afirmando isso. Outros dizem que casam porque a família ou a sociedade obriga, senão vão pensar que sejam gay. Ou ainda, que é assim que Deus determinou. Os mais abusados dizem que precisam de uma ‘doméstica’ ou precisam de alguém para lhe sustentar.

Certamente, cada um terá a sua desculpa, mas com certeza, a desculpa não servirá do nada, muito menos ainda para garantir um 'Lar doce Lar'. Isso é tão verdade, que até brinco com quem me anuncia seu casamento: - Bem, pelo visto, o casamento está marcado, mas quando será o divórcio?

A constituição de uma família é um passo sério e não pode se realizar dentro de um ambiente de impulsos. Pois, sem pais felizes, realizados e conscientes do que estão fazendo, a educação e o surgir dos filhos fica em frangalhos. Mas, não é o que vemos nos casamentos de hoje. Aos tempos dos gregos e dos romanos, casamento era tão somente um contrato social regrando o patrimônio, a situação social e a sucessão. Os prazeres, gregos e romanos buscavam em outras companhias.

Eu preciso saber porque devo casar e o quê almejo com o casamento. Pelo contrário, como vou saber se realizarei o meu intento, o meu desejo? Não posso tentar enganar a outrem, muito menos ainda a mim mesmo. Alguns entram numa aventura do enganar ou do deixar acontecer e depois findam profundamente decepcionados, pior ainda sozinhos, isolados no próprio casamento. Esse fica apagado, sem gosto; aquilo que dá prazer e alegria fica fora dele. 

Mas, será que não há casamento feliz, apenas tranquilo?

Não, sei! Por outro lado, pode-se e deve-se indagar: casamento precisa de amor? Tem gente que opta pelo sim. Mas, há muito casamento sem amor, só com tolerância e 'acordos'. Não devemos esquecer que o casamento não deixa de ser um simples contrato religioso ou cartorial, ou seja, eu faço um acordo com outra pessoa para vivermos juntos, com a possibilidade de formar uma comunidade chamada família. Há até casamento sem a obrigação de vida sexual ou íntima.

A expressão sexual no casamento parece-me ser o ponto chave (de grande tensão) na maioria dos casamentos. E muita gente casa não com alguém, mas com uma figura imaginária de filme ou de romances ou de qualquer um outro fruto do imaginário, desejando realizar um 'amor' idealizado na própria mente, que, em via de regra,  nunca consegue realizar. Se não consegue viver esse 'amor', então surge a infelicidade, a desilusão.

O sexo é carnal, animalesco. Ele não se deixa racionalizar ou enobrecer, muito menos ainda, se pode erguer a prática sexual a algo 'romântico' e fiel. Estamos tratando de um instinto movido por hormônios, que não sabem o que é fidelidade. Mas, se a fidelidade não está presente no casamento, o conjugue aguarda, pelo menos, uma assiduidade na vida sexual. Em contrário, vem a dúvida, pior ainda, o ciúme. Está iniciado o fim do casamento, pelo menos para um dos dois.

Só foram formuladas algumas pinceladas sobre o casamento. O assunto é por demais complexo e merece uma reflexão muito mais ampla. Assim, coloco a canção abaixo para lhe inspirar no realizar um questionamento pessoal sobre o assunto, na esperança de você postar a sua opinião como comentário.

Lar Doce Lar
Renato e Seus Blue Caps

Quando eu me casei pensei
Ter um lar doce lar
Mas agora eu já sei
Você quis me enrolar

Quando eu lhe conheci
Você era boazinha
Só fazia o que eu queria
Era mesmo uma santinha

Quando eu me casei pensei
Ter um lar doce lar
Mas agora eu já sei
Você quis me enrolar

Um ano depois, você
Veio a se transformar
Demorou mas conseguiu
Suas unhas me mostrar

Quando eu me casei pensei
Ter um lar doce lar
Mas agora eu já sei
Você quis me enrolar

Não me deixava dormir
Nem mesmo ler meu jornal
Você dava esses tapinhas
Era muito natural

Quando eu me casei pensei
Ter um lar doce lar
Mas agora eu já sei
Você quis me enrolar

Bem cedinho levantava
Correndo pra trabalhar
Quando o dia terminava
Não queria mais voltar

Quando eu me casei pensei
Ter um lar doce lar
Mas agora eu já sei
Você quis me enrolar

Juro que se eu pudesse
Pôr alguém no seu lugar
Com uma fera eu casaria
Acho, iria melhorar

Quando eu me casei pensei
Ter um lar doce lar
Mas agora eu já sei
Você quis me enrolar . . .”

Acelino Pontes

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Quero ganhar na Mega-Sena


Que maravilha deve ser: levar uma bolada imensa na Mega-Sena. Isso seria fantástico. Resolveria todos os meus problemas. Mas, como?

Bem, antes de saber o ‘Mas, como?’, seria prudente responder o ‘Para que?’ Caso contrário você ficaria sonhando a vida inteira com esse prêmio e findaria frustrado por nunca conseguir o seu sonho de felicidade, se esse for o seu 'Para que?'.

Portanto, vale refletir se uma bolada imensa da Mega-Sena realmente resolveria todos os meus problemas ou me traria a felicidade. Imagine agora, se você ganhar a ‘sorte grande’ e não resolver os seus problemas, ou até isso lhe trazer um volume de problemas bem superior, pior ainda, caso você se torne infeliz, no mínimo frustrado. Lembra de Michael Jackson? Dizem dele, ter vivido infeliz, apesar da imensa fortuna.

Mas, não quero nem me estender sobre isso, pois você jamais vai me seguir nessa linha de pensamento. Com certeza você está consciente e inteiramente convencido de que o dinheiro, muito dinheiro resolve tudo.

Vou apenas seguir a linha que suponho seja a sua: o dinheiro vai lhe trazer felicidade, pois poderá comprar tudo o que sonha ou possa imaginar. Vai fazer-lhe feliz sim. Ninguém pode lhe convencer do contrário.

Mas veja essas fotos abaixo. Deixe que as fotos faça a sua imaginação fluir.  Reflita então, qual delas possa eventualmente avizinhar-se da sua percepção de felicidade.

Ter a mulher dos sonhos?

Viver livre de tudo e de todos?

Comer o que há de delicioso no mundo?

Viver uma grande paixão?

Ser só eu, comigo e meu mundo?

Pois é, há muitas espécies e qualidades de felicidade; cada um escolhe uma ou outra para sí, pelo menos por um tempo. Um mestre meu já até defendeu uma extensa tese sobre o assunto. Embora seja ele adepto de São Francisco, temo que não tenha sido sobre a felicidade franciscana que tenha dissertado. E a felicidade franciscana é interessante, mas ninguém se interessa por ela. Tem gosto até de poesia: amar e se dedicar aos pássaros, à água, à natureza, ao pobre, nada comprar, ter ou possuir e ser feliz. Talvez seja só poesia.


Deixemos os sonhos e voltemos à felicidade que conhecemos e tanto prezamos: ter dinheiro para comprar tudo e todos. Não quero lhe frustrar, nem menos lhe roubar as esperanças, mas pediria que assistisse os dois vídeos abaixo:




E mais este:



Se entendeu a mensagem emitida pelos vídeos, acredito que deseje refletir bem se ainda vai perder tempo e dinheiro com a ‘felicidade da Mega-Sena’. No mínimo, espero que repense se comprar realmente lhe traz felicidade ou se apenas faz de você um fator na relação econômica do mercado consumidor.

E se talvez, comprar não causar felicidade duradoira, por favor, cuide de encontrar o seu tipo de felicidade para toda a vida. Ela pode estar muito próximo de você, só que ainda não a percebeu ou não a quer perceber. Melhor ainda, você talvez é (ou já foi) feliz e não sabe (ou não sabia). Em todo caso, não se esqueça de fazer a sua fezinha nas quartas e nos sábados; se ela não lhe trouxer a ‘felicidade da Mega-Sena’, certamente promoverá o esporte e outras causas nobres, sem produzir montanhas de lixo desnecessário.

Acelino Pontes

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