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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Vida após . . . .


  
Engraçado, quase todos nós temos dúvidas sobre a vida após a morte [será que ela existe?], mas nunca nos indagamos sobre 'vida após o nascimento' [e será que um feto já refletiu sobre a vida após o nascimento?]. Naturalmente, sabemos que há vida após o nascimento, mas um embrião ou um feto jamais poderá saber; só depois de nascer. Essa reflexão pude fazer após receber o seguinte texto:
No ventre de uma mulher grávida dois gêmeos dialogam:
- Você acredita em vida após o parto?
- Claro! Há de haver algo após o nascimento. Talvez estejamos aqui principalmente porque nós precisamos nos preparar para o que seremos mais tarde.
- Bobagem, não há vida após o nascimento. Afinal como seria essa vida?
- Eu não sei exatamente, mas certamente haverá mais luz do que aqui. Talvez caminhemos com nossos próprios pés e comeremos com a nossa boca.
- Isso é um absurdo! Caminhar é impossível. E comer com a boca? É totalmente ridículo! O cordão umbilical nos alimenta. Além disso, andar não faz sentido pois o cordão umbilical é muito curto.
- Sinto que há algo mais. Talvez seja apenas um pouco diferente do que estamos habituados a ter aqui.


- Mas ninguém nunca voltou de lá. O parto apenas encerra a vida. E afinal de contas, a vida é nada mais do que a angústia prolongada na escuridão.

- Bem, eu não sei exatamente como será depois do nascimento, mas com certeza veremos a mamãe e ela cuidará de nós.

- Mamãe? Você acredita em mamãe? Se ela existe, onde ela está?

- Onde? Em tudo à nossa volta! Nela e através dela nós vivemos. Sem ela não existiríamos.

- Eu não acredito! Nunca vi nenhuma mamãe, por isso é claro que ela não existe.

- Bem, mas ás vezes quando estamos em silêncio, posso ouvi-la cantando, ou senti-la afagando nosso mundo. Eu penso que após o parto, a vida real nos espera; e, no momento, estamos nos preparando para ela. (Autor Desconhecido).

Você já imaginou se essa situação também se aplicaria às nossas dúvidas sobre vida após a morte? Se a sua resposta for afirmativa, certamente você encontrou uma 'prova' para que haja vida após a morte. E é até lógico, embora seja uma vida totalmente diferente da que possuímos. Seria, pelo texto, como a transformação de feto em recém-nascido.


Quisera fossem as 'provas' tão fáceis de conseguir como essa. Mas, a questão é bem mais complexa do que inicialmente pensamos. Vamos supor que essa 'prova' seja válida e que tenhamos vida após o nascimento (isso certamente temos) e, por conseqüência, vida após a morte.


Assim, a vida antes e após o nascimento se comporia de corpo (a parte sensível) e de espírito (a parte racional, inteligível). Já a vida após a morte poderia ter três opções de existência: uma vida tão somente espiritual (a alma que vai para o céu ou para o inferno), ou uma vida espiritual e material (por encarnação, por exemplo) ou uma vida como energia (pelo princípio de que nada se perde, tudo se transforma).

Essa última opção não deixa de ser interessante e bem racional. Do espírito não podemos dizer nada, mas do corpo, certamente, podemos dizer que se transformará em (pó e em) energia.

Em todo caso, qualquer que seja o fim último da nossa vida, é importante viver bem o hoje e o agora; o amanhã deixemos para o amanhã. Ou você tem outra opinião?

Acelino Pontes

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Encontre o que você ama



Realmente a questão crucial de todo aquele que vive é saber o que fazer na ou da vida, qual a escolha certa, não 'perder' a vida. Muitas vezes, quando encontramos a resposta, já lá se passaram bons e valiosos anos que dificilmente serão recuperados.


Pior é quando, já se está no meio da vida ou até para lá do meio e se constata que a escolha não foi a correta, no mínimo a melhor. E recomeçar tudo de novo, como da primeira vez, dói profundamente no âmago. É uma dor tão profunda, que só poucos conseguem.

Um dos que conseguiram produzir essa façanha foi Steve Jobs, o fundador da Apple. Num discurso na Universidade de Stanford, em 2005, ele descreve esses momentos de extrema tensão em poucas palavras. Abaixo o texto original em português e mais abaixo o vídeo com o discurso em inglês e com legenda em português. Um magnânimo momento de reflexão por quem estava muito próximo da morte certa. Veja: 
 

Você tem que encontrar o que você ama

Estou honrado de estar aqui, na formatura de uma das melhores universidades do mundo. Eu nunca me formei na universidade. Que a verdade seja dita, isso é o mais perto que eu já cheguei de uma cerimônia de formatura. Hoje, eu gostaria de contar a vocês três histórias da minha vida. E é isso. Nada demais. Apenas três histórias.
A primeira história é sobre ligar os pontos.
Eu abandonei o Reed College depois de seis meses, mas fiquei enrolando por mais 18 meses antes de realmente abandonar a escola. E por que eu a abandonei? Tudo começou antes de eu nascer. Minha mãe biológica era uma jovem universitária solteira que decidiu me dar para a adoção. Ela queria muito que eu fosse adotado por pessoas com curso superior. Tudo estava armado para que eu fosse adotado no nascimento por um advogado e sua esposa. Mas, quando eu apareci, eles decidiram que queriam mesmo uma menina.
Então meus pais, que estavam em uma lista de espera, receberam uma ligação no meio da noite com uma pergunta: “Apareceu um garoto. Vocês o querem?” Eles disseram: “É claro.”
Minha mãe biológica descobriu mais tarde que a minha mãe nunca tinha se formado na faculdade e que o meu pai nunca tinha completado o ensino médio. Ela se recusou a assinar os papéis da adoção. Ela só aceitou meses mais tarde quando os meus pais prometeram que algum dia eu iria para a faculdade. E, 17 anos mais tarde, eu fui para a faculdade. Mas, inocentemente escolhi uma faculdade que era quase tão cara quanto Stanford. E todas as economias dos meus pais, que eram da classe trabalhadora, estavam sendo usados para pagar as mensalidades. Depois de seis meses, eu não podia ver valor naquilo.

Eu não tinha idéia do que queria fazer na minha vida e menos idéia ainda de como a universidade poderia me ajudar naquela escolha. E lá estava eu, gastando todo o dinheiro que meus pais tinham juntado durante toda a vida. E então decidi largar e acreditar que tudo ficaria ok.

Foi muito assustador naquela época, mas olhando para trás foi uma das melhores decisões que já fiz. No minuto em que larguei, eu pude parar de assistir às matérias obrigatórias que não me interessavam e comecei a frequentar aquelas que pareciam interessantes. Não foi tudo assim romântico. Eu não tinha um quarto no dormitório e por isso eu dormia no chão do quarto de amigos. Eu recolhia garrafas de Coca-Cola para ganhar 5 centavos, com os quais eu comprava comida. Eu andava 11 quilômetros pela cidade todo domingo à noite para ter uma boa refeição no templo hare-krishna. Eu amava aquilo.

Muito do que descobri naquela época, guiado pela minha curiosidade e intuição, mostrou-se mais tarde ser de uma importância sem preço. Vou dar um exemplo: o Reed College oferecia naquela época a melhor formação de caligrafia do país. Em todo o campus, cada poster e cada etiqueta de gaveta eram escritas com uma bela letra de mão. Como eu tinha largado o curso e não precisava frequentar as aulas normais, decidi assistir as aulas de caligrafia. Aprendi sobre fontes com serifa e sem serifa, sobre variar a quantidade de espaço entre diferentes combinações de letras, sobre o que torna uma tipografia boa. Aquilo era bonito, histórico e artisticamente sutil de uma maneira que a ciência não pode entender. E eu achei aquilo tudo fascinante.

Nada daquilo tinha qualquer aplicação prática para a minha vida. Mas 10 anos mais tarde, quando estávamos criando o primeiro computador Macintosh, tudo voltou. E nós colocamos tudo aquilo no Mac. Foi o primeiro computador com tipografia bonita. Se eu nunca tivesse deixado aquele curso na faculdade, o Mac nunca teria tido as fontes múltiplas ou proporcionalmente espaçadas. E considerando que o Windows simplesmente copiou o Mac, é bem provável que nenhum computador as tivesse.

Se eu nunca tivesse largado o curso, nunca teria frequentado essas aulas de caligrafia e os computadores poderiam não ter a maravilhosa caligrafia que eles têm. É claro que era impossível conectar esses fatos olhando para frente quando eu estava na faculdade. Mas aquilo ficou muito, muito claro olhando para trás 10 anos depois.

De novo, você não consegue conectar os fatos olhando para frente. Você só os conecta quando olha para trás. Então tem que acreditar que, de alguma forma, eles vão se conectar no futuro. Você tem que acreditar em alguma coisa – sua garra, destino, vida, karma ou o que quer que seja. Essa maneira de encarar a vida nunca me decepcionou e tem feito toda a diferença para mim.

Minha segunda história é sobre amor e perda.

Eu tive sorte porque descobri bem cedo o que queria fazer na minha vida. Woz e eu começamos a Apple na garagem dos meus pais quando eu tinha 20 anos. Trabalhamos duro e, em 10 anos, a Apple se transformou em uma empresa de 2 bilhões de dólares e mais de 4 mil empregados. Um ano antes, tínhamos acabado de lançar nossa maior criação — o Macintosh — e eu tinha 30 anos.

E aí fui demitido. Como é possível ser demitido da empresa que você criou? Bem, quando a Apple cresceu, contratamos alguém para dirigir a companhia. No primeiro ano, tudo deu certo, mas com o tempo nossas visões de futuro começaram a divergir. Quando isso aconteceu, o conselho de diretores ficou do lado dele. O que tinha sido o foco de toda a minha vida adulta tinha ido embora e isso foi devastador. Fiquei sem saber o que fazer por alguns meses.

Senti que tinha decepcionado a geração anterior de empreendedores. Que tinha deixado cair o bastão no momento em que ele estava sendo passado para mim. Eu encontrei David Peckard e Bob Noyce e tentei me desculpar por ter estragado tudo daquela maneira. Foi um fracasso público e eu até mesmo pensei em deixar o Vale [do Silício].

Mas, lentamente, eu comecei a me dar conta de que eu ainda amava o que fazia. Foi quando decidi começar de novo. Não enxerguei isso na época, mas ser demitido da Apple foi a melhor coisa que podia ter acontecido para mim. O peso de ser bem sucedido foi substituído pela leveza de ser de novo um iniciante, com menos certezas sobre tudo. Isso me deu liberdade para começar um dos períodos mais criativos da minha vida. Durante os cinco anos seguintes, criei uma companhia chamada NeXT, outra companhia chamada Pixar e me apaixonei por uma mulher maravilhosa que se tornou minha esposa.

A Pixar fez o primeiro filme animado por computador, Toy Story, e é o estúdio de animação mais bem sucedido do mundo. Em uma inacreditável guinada de eventos, a Apple comprou a NeXT, eu voltei para a empresa e a tecnologia que desenvolvemos nela está no coração do atual renascimento da Apple.

E Lorene e eu temos uma família maravilhosa. Tenho certeza de que nada disso teria acontecido se eu não tivesse sido demitido da Apple.

Foi um remédio horrível, mas eu entendo que o paciente precisava. Às vezes, a vida bate com um tijolo na sua cabeça. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me permitiu seguir adiante foi o meu amor pelo que fazia. Você tem que descobrir o que você ama. Isso é verdadeiro tanto para o seu trabalho quanto para com as pessoas que você ama.

Seu trabalho vai preencher uma parte grande da sua vida, e a única maneira de ficar realmente satisfeito é fazer o que você acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que você faz.

Se você ainda não encontrou o que é, continue procurando. Não sossegue. Assim como todos os assuntos do coração, você saberá quando encontrar. E, como em qualquer grande relacionamento, só fica melhor e melhor à medida que os anos passam. Então continue procurando até você achar. Não sossegue.

Minha terceira história é sobre morte.

Quando eu tinha 17 anos, li uma frase que era algo assim: “Se você viver cada dia como se fosse o último, um dia ele realmente será o último.” Aquilo me impressionou, e desde então, nos últimos 33 anos, eu olho para mim mesmo no espelho toda manhã e pergunto: “Se hoje fosse o meu último dia, eu gostaria de fazer o que farei hoje?” E se a resposta é “não” por muitos dias seguidos, sei que preciso mudar alguma coisa.

Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo — expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar — caem diante da morte, deixando apenas o que é apenas importante. Não há razão para não seguir o seu coração.

Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração.

Há um ano, eu fui diagnosticado com câncer. Era 7h30 da manhã e eu tinha uma imagem que mostrava claramente um tumor no pâncreas. Eu nem sabia o que era um pâncreas.

Os médicos me disseram que aquilo era certamente um tipo de câncer incurável, e que eu não deveria esperar viver mais de três a seis semanas. Meu médico me aconselhou a ir para casa e arrumar minhas coisas — que é o código dos médicos para “preparar para morrer”. Significa tentar dizer às suas crianças em alguns meses tudo aquilo que você pensou ter os próximos 10 anos para dizer. Significa dizer seu adeus.

Eu vivi com aquele diagnóstico o dia inteiro. Depois, à tarde, eu fiz uma biópsia, em que eles enfiaram um endoscópio pela minha garganta abaixo, através do meu estômago e pelos intestinos. Colocaram uma agulha no meu pâncreas e tiraram algumas células do tumor. Eu estava sedado, mas minha mulher, que estava lá, contou que quando os médicos viram as células em um microscópio, começaram a chorar. Era uma forma muito rara de câncer pancreático que podia ser curada com cirurgia. Eu operei e estou bem.

Isso foi o mais perto que eu estive de encarar a morte e eu espero que seja o mais perto que vou ficar pelas próximas décadas. Tendo passado por isso, posso agora dizer a vocês, com um pouco mais de certeza do que quando a morte era um conceito apenas abstrato: ninguém quer morrer. Até mesmo as pessoas que querem ir para o céu não querem morrer para chegar lá.

Ainda assim, a morte é o destino que todos nós compartilhamos. Ninguém nunca conseguiu escapar. E assim é como deve ser, porque a morte é muito provavelmente a principal invenção da vida. É o agente de mudança da vida. Ela limpa o velho para abrir caminho para o novo. Nesse momento, o novo é você. Mas algum dia, não muito distante, você gradualmente se tornará um velho e será varrido. Desculpa ser tão dramático, mas isso é a verdade.

O seu tempo é limitado, então não o gaste vivendo a vida de um outro alguém.

Não fique preso pelos dogmas, que é viver com os resultados da vida de outras pessoas.

Não deixe que o barulho da opinião dos outros cale a sua própria voz interior.

E o mais importante: tenha coragem de seguir o seu próprio coração e a sua intuição. Eles de alguma maneira já sabem o que você realmente quer se tornar. Todo o resto é secundário.

Quando eu era pequeno, uma das bíblias da minha geração era o Whole Earth Catalog. Foi criado por um sujeito chamado Stewart Brand em Menlo Park, não muito longe daqui. Ele o trouxe à vida com seu toque poético. Isso foi no final dos anos 60, antes dos computadores e dos programas de paginação. Então tudo era feito com máquinas de escrever, tesouras e câmeras Polaroid.

Era como o Google em forma de livro, 35 anos antes de o Google aparecer. Era idealista e cheio de boas ferramentas e noções. Stewart e sua equipe publicaram várias edições de Whole Earth Catalog e, quando ele já tinha cumprido sua missão, eles lançaram uma edição final. Isso foi em meados de 70 e eu tinha a idade de vocês.

Na contracapa havia uma fotografia de uma estrada de interior ensolarada, daquele tipo onde você poderia se achar pedindo carona se fosse aventureiro. Abaixo, estavam as palavras:

Continue com fome, continue bobo.”

Foi a mensagem de despedida deles. Continue com fome. Continue bobo. E eu sempre desejei isso para mim mesmo. E agora, quando vocês se formam e começam de novo, eu desejo isso para vocês. Continuem com fome. Continuem bobos.

Obrigado.

Steve Jobs


Acredito que essa lição de vida não possa ser seguida por qualquer um. Entretanto, quem produzir coragem e destemor em grande dose, seguir seus ensinamentos, certamente será um vencedor como ele, no mínimo encontrara a satisfação e orgulho pela sua própria vida, quando não, alcançará um nível ímpar de felicidade.



Acelino Pontes

domingo, 25 de setembro de 2011

Direito de Viver


No Brasil de hoje é bom para viver. O país está progredindo no setor socioeconômico e o futuro parece-nos maravilhoso. Teremos muita diversão ainda com a Copa 2014, as Olimpíadas, o Brasil na mídia internacional e muitas outras coisas boas rolando na vida e na história do brasileiro. E a natureza e seu povo são maravilha pura. Tudo na medida certa.

Mas, parece-me que não temos mais assegurado o direito de viver, como dita a Constituição Federal. E é o próprio Governo (através de Relatório do Ministério da Justiça), quem nos traz essa constatação. Veja o vídeo abaixo e tire suas conclusões:


Que coisa, hem? Será que não temos direito à vida? O que está acontecendo? Enquanto isso, os políticos e o judiciário só se preocupam em aumentar os seus respectivos salários. Já estão até matando juiz e ninguém dá a minima.

Alguém pode me dizer o que devemos fazer para parar com essa insanidade de homicídios a torto e a direito?

Alguns vão dizer: mas, a maioria é bandido ou viciado, que encontrou o merecido. Primeiro, ninguém pode pensar assim, pois qualquer resíduo de ética que ainda perdure em nossa alma, não nos permite assim pensar. Segundo, porque essa evolução é uma epidemia e um dia encontrará você ou a mim. Só quem sente a dor da perda de um ente querido poderá avaliar essa questão com larga propriedade.

Por outro lado, não podemos continuar aceitando essa situação, pois certamente findaremos por comprometer todo o nosso futuro. Aqui, vale lembrar o magnânimo ensinamento do filósofo francês Sartre:
 
O importante não é o que fizeram de nós, mas o que nós mesmos fazemos daquilo que fizeram de nós1.

Se deseja ler o Relatório do Ministério da Justiça em sua totalidade basta clicar em:


Acelino Pontes

1 Sartre, Jean-Paul: Saint Genet - Ator e Martir. Título original: Saint Genet, comédien et martyr (1952). Editora Vozes, 2002. 584 p.

sábado, 19 de março de 2011

Mais uma guerra começa: a ONU dá luz verde

Fonte: Internet.

Em Paris, reunem-se representantes dos EEUU, da Europa, da ONU e da Liga Árabe (até tu, Brutus?). Estão planejando a forma e as regras de como fazer parar o ditador líbio Muammar Gaddafi. O mais engraçado é que a ONU ‘deu luz verde’. Pensei que a ONU era para promover a paz e não para ‘dar luz verde’ para ataque bélico. Que coisa, hem? Até já me disseram para parar de pensar, mas ainda teimo em pensar . . . 
                            . . . habemus papam, que papa que nada, habemus bellum, temos guerra.
Oficialmente, o encontro tem por finalidade executar a resolução da ONU em proteção do Povo Líbio. Mas, na realidade, é para decidir sobre ataques aéreos contra as tropas de Gaddafi. A França já está sobrevoando a região com seus poderosos aviões de caça; os norte-americanos posicionaram seus navios de guerra. As ofensivas contra Gaddafi já começaram; habemus papam, que papa que nada, habemus bellum, temos guerra.
Só se espera que os ataques aéreos das forças militares de Gaddafi contra o centro de resistência Bengasi cessem. Enquanto isso, mais gente morre em nome da política. Ou é em nome da fé? - Olhe, que tem um ‘livro verde’ na estória!

E o tal ‘livro verde’? É uma ‘carta política’ ou é uma espécie de ‘bíblia’?

– Isso, só Deus sabe. Portanto não dá para decifrar. Só sabemos que há um ‘livro verde’ na estória; se vê na tv mulheres e até crianças com um ‘livro verde’ em punho.

* * * * * * * *

Como se matava antigamente ‘em nome da fé’! Hoje, ainda se mata em nome da fé e da ideologia;  por uma crença ou por uma opinião. Que sentido se pode encontrar em matar ou morrer por uma opinião ou por uma crença? Isso é uma coisa tão minha que não deveria interessar a ninguém.

Será que é?

- É sim, a fé e a opinião são minhas e ninguém me toma. 

- Não! O que estou questionando é: ‘matar ou morrer por uma opinião ou por uma crença’.

Peraí, agora me tomo de dúvidas. Pensando bem, a coisa não é mais questão de fé, muito menos ainda de ideologia. A Rússia de hoje é mais selvagem no seu capitalismo do que os Estados Unidos; portanto não há mais aquela de ‘capitalista’ ou de ‘comunista’. É, realmente, não há nem fé e nem ideologia em jogo. É o povão escravizado por mais de 30 anos por ditaduras sanguinárias que está mostrando reação, dizendo não à ditadura.

Mas, por que a ONU e os grandões estão nesta de ‘proteger’ o povão da Líbia? Já se passaram mais de 30 anos ou até 40 anos que essa situação reina e ninguém mexeu uma palha para ‘proteger’ o Povo Líbio. Complicado, né?

- Não, não é nada complicado. Não é por lá que passa ou vem um mundo de petróleo e gás natural para suprir os grandões com energia?

Pronto, está tudo claro. O meu ‘mundo’ volta ao normal: os grandões não estão defendendo o bravo Povo da Líbia, mas estão defendendo, como sempre, seus próprios interesses, ‘suas’ fontes de energia, que por acaso estão na Líbia e no norte da África. O Povo da Líbia vai continuar indefeso, mas terá um governo ‘politicamente correto’.

Pelo menos, nesse caso da Líbia e dos outros países do norte da África se trata de levantes do povão oprimido e não de iniciativa de algum ‘serviço secreto’ ou grupos escusos defendendo interesses pra lá de ocultos.

Peraí, será que estou errado?

Se tiver, por favor, me avise. Detesto errar e ninguém me avisar.

Acelino Pontes

quinta-feira, 10 de março de 2011

O dia dos Mil Mortos


O Ceará sempre sofreu com as secas. Seca não, péssima administração da água. Ao fim do Século 19, nos anos de 1877, 1878 e 1879, tivemos o pior período de estiagem, a fatídica Seca dos Três Setes. Logo no momento em que Fortaleza era uma só festa; se descobrira, ante a grande riqueza pela fartura do algodão, como ‘Paris dos Trópicos’. Ganhara design novo, topografia em xadrez, febre consumerista por produtos franceses, lojas regadas a ‘Au Phare de La Bastille’, ‘Paris des Dames’; brilhava com a ‘Confeitaria Maison’, melhor ainda, com a ‘Casa Louvre’, esbanjo de luxo e de preciosidades.

Do luxo à peste. Com a seca, o volume de 110 mil retirantes invadiu a capital cearense, contrastando com apenas 20 mil fortalezenses. Miséria e fome cresciam em ritmo galopante. Não tardou que, do vizinho Rio Grande do Norte, a importação da varíola ocorresse e transformasse Fortaleza num palco da morte.

O autor Lira Neto descreve esses tempos dramáticos com uma beleza literária impar em seu livro O Poder e a Peste – A vida de Rodolfo Teófilo. Vejamos alguns tópicos dessa linda obra, embora recheada de detalhes macabros:

 "Não havia quem os convencesse do contrário. Nem que o diabo tocasse rabeca . . . . [Os retirantes] não iam deixar ninguém lhes espetar no braço, assim sem mais nem menos, uma mentira de remédio [vacina], que diziam ser preparado com o próprio veneno da Peste . . . . Não adiantava chamar a polícia, escorraça-los em praça pública, ameaça-los de prisão. Nada, nem ninguém, os dobraria."
"Desgraça só quer mesmo princípio. De fato, a Peste não demorou muito a mostrar toda a força que tinha."
"Do balcão da farmácia . . .  Rodolfo observava aqueles cortejos com horror e reprovação. Os cadáveres dos variolosos, decompostos pelas feridas da doença, eram conduzidos a céu aberto. Muitos corpos, em que a varíola havia separado a carne dos ossos, eram socados em sacos de estopa, que depois se amarravam a um pau para facilitar o transporte."
"Os defuntos mais inteiros, aqueles que podiam ser transportados amarrando-lhes mãos e pés a uma vara, iam cobertos por ligeiros trapos, que mal lhe escondiam as vergonhas."
"Foi no dia 10 de dezembro [de 1878], quinzena antes do Natal. Aquele seria o dia do cão. Ninguém nunca mais poderia esquecer. O dia inteiro, não houve único minuto em que não chegasse pelo menos um defunto para ser enterrado na Lagoa Funda. Os carregadores precisavam fazer filas para despejar os corpos."
"A confusão era total. Enquanto aguardavam a vez, bêbados de não se aguentar em pé, os carregadores deitavam no chão os cadáveres, que já começavam a apodrecer. No final da tarde, os registros oficiais indicavam que o cemitério recebera, só naquele dia, nada menos de 1.004 cadáveres. Nunca se tinha visto, em tempo algum, morrer tanta gente junta. Talvez Deus tivesse fechado de vez os olhos para aquela gente. Ou então era o Dia do Juízo Final. O Dia dos Mil Mortos."
E o drama dantesco não parou por aí. No cemitério os corpos eram simplesmente amontoados. Ao fim desse lúgubre dia, se conta que restaram 238 cadáveres insepultos. E não mais restava uma só fio de forças entres os ébrios coveiros. Mas, o pior dos piores, aconteceria quando retomassem ao trabalho:

Na manhãzinha seguinte, quando voltaram para completar a tarefa, os coveiros avistaram de longe a nuvem negra sobre a Lagoa Funda. Centenas de urubus rodopiavam e davam rasantes no céu. À distância, também podia se ouvir o latido de cães furiosos, um rosnado dos infernos, vindo lá das bandas do cemitério.”
Quando se achegaram, deram de cara com a cena que os deixou estatelados. Um espetáculo que conseguiu tirar o prumo até mesmo homens embrutecidos, acostumados a meter as mãos nuas em pilhas de cadáveres bexiguentos. Não era mesmo coisa bonita de se ver. Algo de impressionar, borrar as calças de qualquer valentão: um bando de cães arreganhavam os dentes, disputando entre si – e com o urubus – pedaços de carniça humana.”
Àquela hora da manhã, ainda de jejum, os coveiros tiveram que se encharcar de toda cachaça que encontraram pela frente. Depois de enfiar litros de pinga goela abaixo, foram se engalfinhar com os animais, afugentando-os com pauladas e pedradas. Poucas horas depois, o que tinha sobrado daquela carnificina – fosse gente, fosse bicho – era atirado a uma vala comum, recém-aberta.”
Somente entre setembro e dezembro de 1878, a crônica informa que a peste fez 24.849 vítimas em Fortaleza. E lembre-se. A capital cearense de antes da Seca dos Três Setes possuía apenas 20 mil residentes.
Acelino Pontes




Livro:
Lira Neto: O Poder e a Peste - A vida de Rodolfo Teófilo. 2ª Edição. Fortaleza: Edições Fundação Demócrito Rocha, 2001

terça-feira, 8 de março de 2011

O filho que rolava de dor no pátio da Catedral


Fonte: Internet.


Ontem, decidi-me a dormir. Há quase um mês não durmo suficientemente por uma profunda crise existencial. Mas ontem, eu decidi que iria dormir deste dormir, como na adolescência, até não mais querer. Assim decidido, assim feito, com ajuda de medicamentos. Acordei por volta das 10h. Coisa inédita, para quem acorda já às 4 da matina, independentemente de quando foi dormir. 

A crise existencial é causada pelo fato de ter sido a vida inteira um guerreiro, que sempre ganhou o seu sustento com suor e com muito esforço. Hoje, sou portador de Hipertensão Pulmonar, não posso mais suar e nem fazer esforço; se tentar há um fim só: desmaio e perda da consciência. Sinto-me como um 'mariquinha', que não suporta o esforço e melindrado é. Eu, o guerreiro de sempre, acostumado às lutas mais viris. Isso me derruba ao extremo. 

Ora, acordei, li alguns jornais pela net, depois li e respondi alguns mails, almocei e, por volta das 14h, fui à Biblioteca Pública em busca de fundamentos para exigir direitos de cidadão, pois tinha realizado anteriormente algumas pesquisas e precisava documentar a pesquisa. Só que, dois funcionários da Biblioteca intentaram a prática de peculato. Exigiram dinheiro (e muito dinheiro, para me repassar a ensejada documentação eletrônica). Fiquei indignado com essa prática; parece que de muito tempo exercitada por um casal funcionário da Biblioteca Pública. Daí, procurei a Diretora da Biblioteca que me prometeu, amanhã, 'tentar' solucionar o problema, já caso de polícia. Tive que me conformar em, se a saúde permitir, retornar amanhã.

Saí, interiormente revoltado, indignado, andei sem destino. Repentinamente me encontrei na rua da Catedral (que fica próxima à BP) e lá estava, em volta de um automotor tipo Toyota muita gente, SAMU. Dentro do automotor uma senhora de uns 45 anos, sem vida, morta. Perguntei a uma paramédica o motivo: - parada cardíaca. Mas, o pátio da Catedral logo me chamou a atenção pelo furor de clamores histéricos. Um jovem de uns 17 anos enlouquecido rolando no chão, aos gritos. O filho, novel órfão, inconformado, teimava em não aceitar o óbvio: a mãe estava viva e morrera, sem um motivo lógico, pelo menos para ele. Era dor imensa e não se tinha com fazer parar a dor ou o rolar enlouquecido no chão.

Dolorosamente - para os familiares da vítima - o pessoal do SAMU se afastava, para que encostasse o carro do Instituto Médico Legal. 

E o que eu estava ali fazendo? Não poderia ajudar. A mulher já estava morta. Toda a tecnologia moderna foi aplicada e não se conseguiu reverter o quadro. Entretanto, a dor e a revolta do filho me tocava. Será? Será que não foi muito mais o fato de eu só ter mais uns 8 a 10 anos de vida, ser um condenado à morte? 

Decididamente, as circunstâncias me tocaram sim. Milhões de pensamentos rolaram. Essa mãe deveria ter sido uma mãe maravilhosa, pelo menos para o filho que rolava no chão do pátio da Catedral em desespero total, aos gritos, extremamente revoltado, possesso e sem qualquer indicativo de aceitar a realidade: a morte da mãe. 

E como talvez a maioria ali pensei: coitada da senhora, tão jovem e morta; por nada. Tinha ido ao centro, talvez fazer compras ou por outro motivo qualquer. De repente, sentiu um mal-estar e morre. 

Nunca gostei de ser plateia do sofrimento alheio. Apressei-me em abandonar o local tão fúnebre. Dirigi-me à Secretaria de Saúde do Município, onde tenho requerimento para, por força de liminar, me conceda um aparelho necessário à aplicação de um medicamento.

Mas, no caminho pensei no que tinha antes formulado no meu matutar: 'coitada da senhora'. Pôxa, será que não é o contrário? Coitado de mim? Eu tenho de lutar contra peculato, tenho de ir à justiça para pleitear meus direitos naturais, tenho que peticionar pelo que naturalmente deveria me ser oferecido de imediato, mas sou impedido por uma funcionária incompetente e despótica, que está pouco se lixando se eu morro ou deixo de morrer? Aquela senhora, certamente já está em bom lugar, sem preocupações.

E o pior é que, lá na Secretaria, constatei justamente isso. Mesmo, de posse de uma liminar da Justiça Federal, que me assegura todo e qualquer tipo de tratamento, independentemente de custo, uma funcionária pública qualquer simplesmente a pode revogar sem consequências. A lei prevê e a Justiça reconhece o direito. Mas, o que adianta isso, pois a administração não cumpre e a impunidade prevalece? 

Me perdoem por este desabafo! Talvez seja uma profunda indignação de um guerreiro ferido de morte.
Acelino Pontes
Fortaleza, 10/01/2008

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A Intriga

Fonte: Internet. O método mais antigo e usado na política é a intriga. Infelizmente esta virose tem afetado em muito o rel...