segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Escola, como te odeio!

Fonte: Internet.

Começou bem a idéia de escola. Se pensarmos em Sócrates (viveu em Atenas/Grécia, entre 469 e 399 a.C.) como o primeiro professor, então essa ideia começou bem, aliás maravilhosamente bem.



Fonte: Internet.
Com Sócrates a escola era itinerante; qualquer lugar se prestava para aprender, inclusive tinha o inusitado banquete como veículo de aprender e ensinar. O seu método tinha características próprias: fascinação, ironia e maiêutica. A maiêutica também é conhecida como parto de ideias. Como sua mãe era parteira, ele tinha muito contato com o parto, ao tempo de criança. E foi daí, que ele tirou o conceito de maiêutica como parto de ideias.




Sócrates, o professor, percorria as ruas e os alunos iam a seu encontro. Então, alguém lhe fazia uma pergunta. Ele devolvia a pergunta ao interlocutor, tentando gerar dúvidas naquilo que o interlocutor e demais alunos tinham como correto e conhecido. Dessarte, partia Sócrates para uma ampliação da questão, envolvendo diversas maneiras de compreender o assunto em indagação, para, por fim, 'parir'/gerar novas idealizações sobre a questão. A isso, se diz a maiêutica socrática.



Autor: Johann Friedrich Greuter. (Fonte: Internet)
Ao exemplo do conceito 'amor', se perguntado por um aluno, ele devolvia: o que você acha sobre o que seja o 'amor'? O aluno poderia responder como “é o sentimento mais nobre que se possa nutrir por alguém”. Daí, ele partia para questionar se o amor entre pessoas do mesmo sexo, seria também amor, porquanto também um sentimento dos mais nobres? Com isso, ele tocava a questão do preconceito, que naturalmente levaria o interlocutor a uma outra dimensão em relação ao amor. Ele poderia também tocar a questão da existência de Deus e da religiosidade, perguntando se o amor a Deus seria igualmente amor. Desse modo, ele enveredaria na investigação da existência de Deus e na da possibilidade de se amar alguém, que não tenha sua existência comprovada, embora se tenha apenas fé de que exista. Num outro momento, ele poderia questionar a relação do amor-próprio e do egoismo; como também resvalar o trato do amor em relação a objetos e a um animal doméstico. Assim, poderiam professor e alunos divagarem por toda uma enorme amplitude de possibilidades de entendimento sobre o amor, sem perder a fascinação pelo aprendizado. Era simplesmente um jogo gostoso de aventurar-se no mundo do conhecimento.

E de idêntica forma poderia Sócrates e seus alunos discorrer sobre qualquer outro tema ou área de conhecimento: da filosofia às ciências exatas, às da natureza e às artes em geral.



Fonte: Internet.
Ao fim do diálogo, todos os alunos tinham feito uma viagem por todo o envolto e contornos do conceito analisado e desenvolvido uma nova e apaixonante relação com esse conceito. Isso, era um aprender extremamente prazeroso e abrasador.



A escola de então não tinha hora para começar e nem para terminar, não tinha férias e nem obrigações ou regras. A liberdade era total. Ainda, a esse tempo, apareceu um tal de Platão com a proposta de o Estado apossar-se das crianças e jovens para promover-lhes a educação obrigatória, mas de tão maluca a ideia, ninguém lhe deu ouvidos.



Fonte: Internet.
A percepção da liberdade de ensino perdurou até o ano de 787, quando o imperador do Sacro Império Romano-Germânico, Carlos Magno (742-814 ), dito "O Grande", decretou uma regulamentação para a escola. A partir daí, se inovou a escola com sete artes liberais: o ensino literário (gramática, retórica e dialética) e o ensino científico (aritmética, geometria, astronomia e música). Aqui no Brasil, essa divisão perdurou, até a Ditadura Militar de 1964, como Curso Clássico e Curso Científico.



Fonte: Internet.
Tudo ainda andava bem e com certa liberdade na escola até surgir, em 1599, a famosa Ratio Studiorum (=Sistema de Estudos), um compêndio de 467 regras para a sistematização da pedagogia e da escola, na percepção dos Jesuítas. O ensino passa a ser rigoroso adestramento, treinamento e domesticação, com feição quase militar. Aqui começou o terror na escola, que até hoje perdura no Brasil e em grande parte do mundo.



E vejam neste vídeo uma excelente avaliação dos frutos dessa 'inovação':



A Escola é um Saco.
Autor: GusHorn Produções.



Escola tem que ser fascinante, emocionante e cativante; uma imensa aventura pelos mares do conhecimento. A despeito disso, o fascinante, o emocionante e cativante na escola de hoje é justamente aquilo, que a atual escola proíbe.




Fonte: Internet.
Os eletrônicos ensinam e seduzem o aluno muitíssimo mais do que a escola. A escola quase sempre esquece que a aula deve ser um show e não um adestramento; não pode ser de disciplinas, mas de conhecimentos. Se há prazer em frequentar a escola, não resiste necessidade de provas e exames. A 'prova' será a própria demonstração do prazer em frequentar a escola e do de assistir as aulas. Escola sem disciplina e sem prova é um direito natural e, certamente, será a escola do futuro, futuro este que há muito, já devia ser presente.



E você professor, que está incomodado com o aluno dedicado a jogos no celular durante sua aula, aprenda a lição: ele gosta de jogo. Então, transforme a sua aula num jogo muito mais atrativo, que ninguém mais, em sala de aula, jogará ao celular.



Fonte: Internet.
Talvez até, você, aluno, não obtenha o êxito exigido pelo ENEM ou por um vestibular qualquer, mas recebeu uma educação de qualidade, que vai lhe render grandes frutos. Não será você que deve se adequar aos vestibulares da vida ou ao ENEM, mas esses à sua vocação e aos seus direitos. E decoreba, disciplinas, regulamentos, bullying et caverna, jamais.



Escola não pode abandonar os princípios socráticos. Necessita ser o local, que fascina e enfeitiça o aluno.
Acelino Pontes

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