quinta-feira, 1 de março de 2012

História brasileira de Trancoso




Era uma vez, há muitos, muitos anos, um doido chamado Cabral. Só vivia pensando em descobrir terras, nem que fosse num outro mundo. Aí, ele encontrou um outro doido, Rei de Portugal e que se convenceu em financiar o doido Cabral, o dito descobridor de terras.

Assim, sai o doido Cabral com um bando de caravelas em busca de terra nova. Findou por encontrar uma terra, dita ilha, não no outro mundo, mas num novo mundo, que deu o nome de Ilha de Vera Cruz.

Voltando ao Rei, contando ter encontrado um novo mundo cheinho de pau brasil, findou a Majestade em dar nome a tal ilha, agora novo mundo, de Brasil. E por não vislumbrar ter muita serventia a fartura de pau na terra nova, findou por decidir-se em mandar a abundância de bandidos e condenados em Portugal para a nova terra, dito Brasil, que de então passou a se infestar de tudo o que não prestava em Portugal.

Todavia, como tudo o que aqui se faz, aqui se paga, lá nas Europas surgiu um tal de Napoleão, que queria frito comer o Rei de Portugal, possuidor de uma generosa pança. Forçou assim, o dito pançudo, que não tinha nada de besta, a pegar a próxima caravela e abortar aqui no Brasil. Passada a tormenta, ele retorna ao seu trono querido e as fartas comelânças mais queridas suas. Deixou aqui o seu filho herdeiro e também mais doido.

O dito filho, doido e príncipe herdeiro, começou a planejar uma administração liberal e progressista. Só que, tinha esquecido do fato do Brasil ser então habitado por filhos e netos de ex-bandidos e ex-condenados. Embora, naturalmente, alguns devidamente consubstanciados com títulos de nobreza. Assim, seu sonho de construir um Estado novo e liberal foi pras cucuias. Decepcionado, pegou a próxima caravela e foi suceder seu pai, o pançudo, que acabara de morrer.

Desta feita, ficou aqui um filho, que não era doido, mas esquisito. E como era ainda adolescente, findou por aprender a não governar e deixar as coisas rolarem. E as coisas foram rolando a mercê dos agora, bis- e tataranetos dos ex-bandidos e ex-condenados.

Só que, com os tempos, negros importados para trabalho escravo e os índios nativos da nova terra começaram a formatar a constituição da população local: o povão. Esse povão, dito brasileiros, já não mais aceitava o 'deixar as coisas rolarem'. Daí, revolta. O Imperador, não quis muita conversa, pegou a próxima caravela, indo para Paris, gozar sua rica aposentadoria de Imperador do Brasil.

Vieram os milicos e tome república no Brasil. Só que esqueceram de excluir a corrupção já reinante dos tempos do 'descobrimento' entre os ex-detentos. E lá vão milicos e mais milicos. Nada dava certo. Então, colocaram um civil. A coisa piorou e foi piorando até os milicos dizerem basta e assumirem novamente o mando das coisas, por força das baionetas.

20 longos anos, os anos de chumbo, sofreu o Brasil sob o comando de 'ordem e progresso'. Nem ordem e nem progresso, só resistência heróica de um punhado de doidos querendo ganhar guerra com espingarda, baladeira e facão contra canhão e jatos caça. Mas, os milicos viram que não dava certo e que o negócio deles era mesmo fazer guerra e voltaram para o quarteis.

Daí, retomam os civis. Grande esperança lá de Minas, as gerais. Eleito, nem chegou a tomar posse, logo foi substituído por uma raposa lá dos maranhões, que sabia só tudo sobre corrupção e roubar dinheiro público, com especialização, mestrado, doutorado, PhD e tudo o que tinha direito.

No Congresso um valentão para ninguém botar defeitos, de nome Ulisses implantou uma Constituição, uma verdadeira carta cidadã, inaugurando assim o Estado de Direito no Brasil.

No palácio, o do Planalto, a raposa dos maranhões, evacuou o Estado de Corrupção. E com a morte do xerife Ulisses, a raposa presidente sem voto, findou por derrubar o Estado de Direito no Congresso e instalou, também lá no Congresso, o Estado de Corrupção. Aí ficou tudo perfeito para o raposa presidente sem voto.

Daí em diante, era só corromper, roubar e enriquecer. Para o povão 'pão e circo', nos bons moldes dos tempos de Nero lá em Roma. E, quanto mais 'pão e circo', mas votos ganhavam os políticos corruptos do imenso Brasil. Daí, cada cargo de presidente, senador, governador, prefeito, deputado ou vereador tinha preço. Pagou, passou, quero dizer, era eleito. Depois, o eleito tirava a fortuna 'investida' na eleição dos cofres do governo fácil, fácil. Teve até uma loira que era prefeita numa capital importante, que depois de realizar a pior administração da história daquela terra e, em não tendo voto algum para reeleger-se 'investiu' dezenas de milhões e foi reeleitinha da silva. Até hoje os cofres dessa dita capital importante tá pagando a conta amarga. E a prefeitinha, loirinha da silva, tentando eleger 'poste sem luz' para sucessor.

Brasão da Cidade de Trancoso
Mas, como toda estória de Trancoso tem um bonzinho salvador da pátria, essa também tem: um doido barbudo, nascido nos pernambucos e que fugira da fome para saciá-la em São Paulo. Lá, logo perdeu um dedo da mão e se aposentou na fulô da idade. Então, virou sindicalista importante no finzinho dos anos de chumbo. Daí, começou com o sonho de ser presidente do Brasil. Foi sonho longo e sofredora a batalha. Quase findava com a alcunha de 'sempre perdedor'.

Tinha bons sonhos e boas intenções o Sindicalista Semumdedo. Mas, como com bons sonhos e boas intenções ninguém se torna presidente do Brasil, lhe disse um novo amigo, de nome Zé Semvergonha (antigo conhecido e grandíssima 'dor-de-dente' dos milicos) e adiantou que precisava virar corrupto.

Já quase encarapuçando a alcunha de 'sempre perdedor', o Sindicalista Semumdedo deu ouvidos ao Zé Semvergonha, autorizando-o, de já, a procurar um professor-doutor-PhD em corrupção eleitoral. Foram encontrar a 'peça' lá em todas as bahias. O Sindicalista Semumdedo, não chegou muito longe com a sua formação feita às pressas, mas conseguiu pelo menos o grau de 'mestre' em corrupção eleitoral. Daí, foi a passo largo rumo à presidência do Brasil.

No outro dia da posse, chamou todos os professores-doutores-PhD em corrupção, que estavam desfrutando um lindo e lucrativo mandato no Congresso, a seu gabinete para fazer um acordão. Daí por diante, governar era só com o presidente Sindicalista Semumdedo, que foi assessorado diretamente pelo Zé Semvergonha.

Mas, o que aconteceu com os lindos sonhos do Sindicalista Semumdedo? Calma pessoal, a estória ainda não acabou. Ele, como já tinha o Congresso nas mãos poderia fazer só tudo o que queria e imaginava. Então, começou a realizar parte dos ditos sonhos. De início, devagarzinho porque supostamente o santo era de barro. Depois acelerou um pouquinho, mas longe do que o necessário. Mas, como para quem não tem nada, migalha é banquete, o povo foi retribuindo com votos e com aprovação no IBOPE.

Lá pras tantas, o desconfiômetro do Sindicalista Semumdedo, agora presidente do Brasil, disparou. Tava cercado de professores-doutores-PhD em corrupção. E isso já estava dando na vista do mundo afora. Então, chamou a Maria Exguerrilheira, que era uma fera, séria e não gostava de incompetência, muito menos ainda de roubalheira; ainda era alérgica a corrupção. Pronto. O presidente Sindicalista Semumdedo fechou o cerco: ele comandava a bandalheira da corrupção e a Maria Exguerrilheira comandava a competência e a honestidade no Governo. Os conflitos, naturalmente, chegavam de carradas, mas a Maria Exguerrilheira, sempre aquiecia com o argumento 'o senhor é o chefe e é quem manda'.

Aos trancos e barrancos passou o primeiro e o segundo mandato. Mas, já no fim do último, a grande questão: e agora? Mudo a constituição e fico pra sempre ou pego alguém para ficar um mandato e depois eu tomo as rédeas novamente? O presidente Sindicalista Semumdedo findou convencendo-se pela segunda opção. O problema então seria quem escolher como presidente tampão. Candidato não sobrava, só faltava era confiança.

Finalmente, a decisão. Não tinha como ser outra: a Maria Exguerrilheira. Ela era perfeita, fiel até a morte e competente como ninguém e, até tinha aprendido a conviver com a corrupção sem se infectar.

E lá vai o presidente Sindicalista Semumdedo enfrentar a guerra eleitoral com a Maria Exguerrilheira, totalmente desajeitada em questões de corrupção de qualquer tipo, tendo que vencer uma eleição de 'lama praqui, lama pra lá'. Mas, venceu.

Porém, o problema da agora president'a' Maria Exguerrilheira era governar. Naturalmente, tinha que governar com corrupção a toda velocidade, mesmo porque tinha votos de fidelidade para com o grande chefão Sindicalista Semumdedo. Mas, essa não era e nem é a praia da Maria Exguerrilheira.

Promode ki muié é bixo diferente do home? E esse linguajar nordestino se enche de propriedade no presente caso. A dita president'a' Maria Exguerrilheira findou encontrando uma solução genial para o seu problema crucial: governar com a corrupção.

Ora, a imprensa está faminta por descobrir casos de corrupção no Governo. Esse foi o instrumento que ela se utilizou para solucionar o problema dela de nomear corrupto para cargos do Governo, fato esse que ela, por sua essência, odeia mais do que ninguém. E foi tiro certeiríssimo.

O Sindicalista Semumdedo indica o mão de gato, ela nomeia. A imprensa pega o mão de gato na boca da botija e frita-o sem dó nem piedade. Ela só precisa demitir, caso não se justifique. Ora, como mão de gato não pode encontrar justificativa alguma, estão sendo demitidos, um por um, os larápios. E os professores-doutores-PhD em corrupção estão ficando sem alternativas para indicar ao Sindicalista Semumdedo a substituição dos vigaristas demitidos.

Resumo: a estória ainda não acabou, mas a president'a' Maria Exguerrilheira se resolveu como presidente. Continua fortemente fiel ao Sindicalista Semumdedo, nomeando todo mundo que ele indica. Os larápios, flagrados pela laboriosa imprensa, estão caindo um após o outro e os professores-doutores-PhD em corrupção não encontram mais 'capacitadas' alternativas para indicar, momento em que ela vagarosamente - e se sente até obrigada pela sua índole - nomeia gente de sua confiança para os cargos.

Pense numa muiézinha de cabeça! O Sindicalista Semumdedo que se cuide ...


Acelino Pontes

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