segunda-feira, 16 de março de 2015

Nostalgia


 
Fonte: Internet.

Não sei porque tive que comprar um produto de consumo, que nunca me interessou. Um micro-ondas. De porta-em-porta e contando com a má vontade dos vendedores em esclarecer um consumidor faminto em informações que o ajudassem na decisão, terminei por encontrar o que achei a melhor escolha. Nessa peregrinação findei por aprender muito sobre micro-ondas e os diversos modelos e marcas.


No andar na busca pelo produto, findei por passar na famosa e querida Galeria Pedro Jorge. Primeiro, notei que estava totalmente coberta, porquanto um pouco escura, embora 10h da manhã.

Galeria Pedro Jorge. Fonte: Internet.
Tentei lembrar onde era mesmo que funcionava tudo. O DERUR no último andar, no debaixo a DIPES com as salas do CAB (Curso de Aprendizagem Bancária); embaixo a CARIN, a ASSES e não recordava mais. Fiquei matutando para descobrir a janela da sala da 1ª Fase (ou já era na 2.ª Fase?), de cuja a sala de aula, o enfant terrible da nossa turma me trancou e fiquei em pânico, prestes a pular lá de cima. Depois, as aulas chatíssimas da 2.ª para a 3.ª Fase, quando, já em clima de 'fim de feira', o CAB tendia a encerrar suas portas. A 6.ª Turma em clima de tornar-se funcionários do Banco do Nordeste e nós, da 7.ª, sozinhos num mundão de salas vazias lutando contra a falta de professor, que não queria vir ao centro da cidade dar uma única aula.

Fonte: Internet.
Vindo da Rua Gen. Sampaio, fui chegando à Sen. Pompeu e à entrada do prédio, que sempre utilizava. O elevador. Sim, o elevador, o meu terror de então, para quem sofre de claustrofobia. Foi aí que o enfant terrible da nossa turma infelizmente descobriu, que eu tinha medo de ficar trancado. Pois, diariamente subia pelas escadas, enquanto que todos os outros colegas subiam pelo elevador. E o dito enfant terrible só não sabia que também sofro de aerofobia, que foi o que me impediu de pular, quando trancado na sala de aula. As duas fobias ficaram lutando em mim. Quem prevaleceria? Então alguém abriu a porta e me salvou do pânico.

Depois do elevador, outro terror, bem vizinho à entrada. A antiga 'loja' do USIS. A entrada era toda de vidro e dentro reinava o ar-condicionado, ao tempo coisa raríssima, luxo puro. De repente a lembrança. A morte do secundarista Edson Luís no Calabouço (Rio de Janeiro), a sua missa de sétimo dia na Igreja do Carmo, a demonstração na Praça do Ferreira, enfrente ao USIS, fachada de vidro, pedradas, estilhaços, fotorrepórter, eu na confusão.


Depois, as consequências: chá das cinco com o chefe da DIPES, expulsão do Banco, 'bota fora' na Faculdade de Medicina, não sei o que fazer.


Pronto, estou na Sen. Pompeu e tome porta-em-porta procurando micro-ondas. Finalmente, encontrei. Tá no papo. E' ele e nenhum outro. Os safados dos vendedores só-pensante-na-comissão, que se danem.


Só que comprei na Rua Barão do Rio Branco, não longe do Cine Diogo. Vixemaria, o Cine Diogo. Quem diria? Bateu a saudade. Era mais barato do que o Cine São Luiz, porquanto o dinheirin rendia mais . . .

Galeria Pedro Jorge. Fonte: Internet.
Mas, com o peso do bicho, só um táxi me ajudaria. Dito e feito. Peguei um táxi. Daí, para casa. E fui. Desce a Rua Barão do Rio Branco e sobe a Senador Pompeu. As lembranças também sobem. Primeiro, a sede do Banco na 579. Raul Barbosa e seu assessor maior (ou seria dono dele?): Domingos (não recordo agora o cargo dele, mas servia de levar papel de um canto pro outro). Curso de datilografia com a Midauar e a briga com o Jorcênio por causa de um ventilador. O Thomaz e seus empréstimos na DICON e muito além dela. O grande Lucas nos Serviços Gerais. O DEPAD, a SECOM, a turma da DICON e muito mais em vivências na cantina lá no quintal do prédio.

Depois, vem o antigo prédio do CAB e da DITRE, onde ainda, como 7.ª Turma, tiramos uma casquinha, pois logo fomos transferidos para a Galeria Pedro Jorge com tudo novinho em folha. Também, passei novamente por ela, mas foi muito rápido e não deu tempo de renovar a memória, mesmo porque estava saciado pela passagem anterior.


O CAB, um marco na minha vida, que teima em não findar.

Acelino Pontes

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